O que Jesus quis dizer quando Pedro lhe perguntou quantas vezes deveria perdoar seu irmão num dia, e Jesus respondeu 70 vezes sete?

A história dos dois mares

Em Israel temos dois “mares” bem diferentes. O Mar da Galileia e o Mar Morto. Ambos estão na Terra Santa e são alimentados pelo Rio Jordão. A grande diferença entre eles é que o Mar da Galileia dá tudo o que recebe. É um lago de água doce com 21kmx9km de extensão, tem muitos peixes, vegetação e ainda fornece água para as cidades que estão ao seu redor.

Já o Mar Morto é chamado assim porque é um lago de água salgada, que está 400 metros abaixo do nível do mar, não desagua para lugar nenhum. Então, tudo o que entra lá, fica lá mesmo. Por causa disso, foi-se acumulando sal ali e não tem peixes e nem vegetação. Ele não tem vida.

A diferença entre eles é que um dá tudo o que recebe, o outro retém tudo. Assim também temos cristãos que dão e recebem, e teem vida, e outros que recebem muito, porém não dão nada, e estão como um mar morto.

Ao conhecer a vontade de Deus e obedecê-la, nós passamos a experimentar o melhor de Deus. Isso traz vida para nós e para os outros, através de nós. Entretanto, tem algo que pode impedir esta vida, e nos fazer como o Mar Morto.

O que pode impedir a vontade de Deus de se cumprir em nossa vida?

O que pode impedir a vontade de Deus de se cumprir em nossas vidas é a ofensa, quando ficamos e permanecemos ofendidos. Não tem como evitarmos a ofensa, sempre seremos ofendidos por diversas pessoas. A grande questão é o que fazemos com isso.

Existem dois tipos de ofendidos: aqueles que realmente foram injustiçados e aqueles que acreditam terem sido injustiçados. Quando uma pessoa acredita que foi injustiçada, ela pode chegar a essa conclusão por diversos motivos

  • Informações incorretas
  • Conclusões precipitadas
  • Julgamento por dedução
  • Dar ouvidos à aparência ou rumores

Muitas vezes, ouvimos comentários de terceiros e tiramos conclusões de situações que nem sempre são como parecem. E acabamos ficando ofendidos por pensar termos sido injustiçados.

A ofensa também está muito relacionada às nossas expectativas com relação às pessoas.

“Nós nos predispomos a nos ofender quando exigimos certos comportamentos daqueles com que nos relacionamos. Quanto mais esperamos das pessoas, maiores as possibilidades de nos ofendermos com elas.” John Bevere (livro “A Isca de Satanás”)

Costumamos ter expectativas irreais com relação às pessoas mais próximas de nós. E aí nos ofendemos profundamente quando essas expectativas não são atingidas. E então vamos retendo, retendo, retendo. E nos tornamos como o Mar Morto, que retém tudo o que recebe e não tem vida.

Muitas pessoas se ofenderam pelas palavras e atitudes de Jesus. Mas Ele nunca se ofendeu, mesmo tendo sofrido tantos ataques e afrontas (1Pe. 2:23).

Ele diz em Mateus 24: 10-13: “Naquele tempo, muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros, e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.” Esse ciclo começa com a ofensa.

No grego, a palavra “ofendido” significa escandalizado. Então, Jesus está dizendo que a ofensa leva à traição, e a traição leva ao ódio. E então o amor se esfria.

Jesus não se escandalizava e nem se ofendia porque não tinha orgulho. E o orgulho é outro fator que está intimamente ligado à ofensa. Ele nos impede de lidar com a verdade e faz com que os vejamos sempre como vítimas.

Como saber se estou ofendido com alguém?

A Palavra diz que “um irmão ofendido é mais inacessível do que uma cidade fortificada, e as discussões são como as portas trancadas de uma cidadela” (Pv. 18:19). Uma cidade fortificada possuía muros altos ao seu redor, todos que chegavam à sua porta eram checados, se houvesse alguém que representasse uma ameaça à segurança ou à saúde não poderia entrar, e se alguém devesse impostos não poderia entrar até pagar a dívida.

Com essa comparação, a Bíblia diz que uma pessoa ofendida vive como numa prisão. Tem medo de se relacionar, busca só quem concorda com ela, não consegue dar e nem receber amor. E aí o amor vai se esfriando e a fé se esvaindo. Nossa reação à uma ofensa determina como será o nosso futuro.

A ofensa está intimamente ligada ao orgulho. Quanto mais orgulhosa uma pessoa, mais facilmente ela vai se ofender. Quanto mais orgulhosa, mais difícil é para ela perdoar.  

O orgulho nos impede de lidar com a verdade.

O orgulho faz com que você se veja como uma vítima.

Davi foi um homem que tinha todos os motivos para ficar ofendido (1Sm. 16-31). Ele havia sido ungido rei por Samuel, derrotou Golias, se casou com a filha de Saul, comandava exércitos e vencia batalhas. Mas o rei Saul começou a ter inveja dele e tentou matá-lo duas vezes. O perseguiu durante anos com três mil homens. Davi poderia ter se ofendido e até tentado se vingar, mas mesmo quando teve oportunidades de matar Saul, não o fez. Ele não se deixou dominar pela ofensa. Por isso, se tornou rei, exatamente como Deus havia prometido, e é chamado de o homem segundo o coração de Deus!

Você é como o Mar da Galileia ou como o Mar Morto?

Você tem se deixado dominar pela ofensa e impedido a vontade de Deus de se cumprir em sua vida? Se não lidarmos com o orgulho e com a ofensa, vamos deixar de ouvir a Deus e o nosso amor vai começar a se esfriar. Vamos começar a viver no automático da vida cristã.

A escolha é nossa. Muitas vezes, podemos até estar ofendidos com Deus por Ele não ter feito o que esperávamos. Mas o Senhor tem nos chamado para abandonar a ofensa e a ser como o Mar da Galileia, que é cheio de vida e não retém nada.

Peça para o Espírito Santo sondar o seu coração e ver se há algo que não deveria estar aí. De repente algo contra um líder, um familiar, um chefe. Nós precisamos lidar com a ofensa e colocar mais a nossa expectativa no Senhor do que nas pessoas. 

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