Não parece incoerente afirmarmos que Deus é bom e vivermos tão insatisfeitos?

Todos nós já experimentamos provas da bondade de Deus. É só pararmos para pensar e nos lembrarmos de tudo aquilo que Ele já fez por nós. A salvação é a primeira e mais importante dessas provas. E a Palavra também nos mostra diversas outras maneiras em que o fato de o Senhor ser bom afeta diretamente a nossa vida.

O texto de 1 Pedro 2:9-10, por exemplo, diz que nós somos “geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Antes vocês nem sequer eram povo, mas agora são povo de Deus; não haviam recebido misericórdia, mas agora a receberam”. Se cremos nessa verdade, temos muitos motivos para viver felizes.

Mas mesmo conhecendo essa e outras verdades, ainda reclamamos muito e dificilmente nos sentimos plenamente satisfeitos.

Por que isso acontece?

Porque nossos sentimentos são guiados, principalmente, pelos nossos pensamentos e por aquilo em que verdadeiramente cremos.

Você acredita que Deus é bom? Que Ele ama você? Que Ele é fiel? Que Ele tem um futuro maravilhoso para você? Se isso tudo é verdade para nós, não temos motivos para ficar ansiosos. O apóstolo Paulo nos mostra como isso se torna verdade: através da renovação da nossa mente (Rm. 12:2), de uma mentalidade diferente.

Que tipo de mentalidade podemos ter?

Mentalidade tem a ver com a maneira como encaramos a vida, como enxergamos as coisas, como pensamos. Sabendo disso, existem quatro tipos diferentes de mentalidades que podemos ter.

  1. Mentalidade de escravo

As pessoas que têm essa mentalidade vivem com uma falsa sensação de liberdade. Jesus fala sobre isso em João 8:34-36: “Digo a vocês a verdade: Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado. O escravo não tem lugar permanente na família, mas o filho pertence a ela para sempre. Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres”. O escravo não consegue viver na família de Deus.

Ele pensa que pode fazer tudo o que quiser, mas é escravos dos próprios desejos. Vive de maneira independente de Deus, não encontra satisfação no que faz, não encontra paz e descanso, tem a mente obscurecida e o coração endurecido. Um exemplo de mentalidade de escravo é o filho mais novo da parábola do filho pródigo, de Lucas 15.

Vivemos em um mundo que é cheio de pessoas com mentalidade de escravos.

  1. Mentalidade de empregado

Aquele que pensa como empregado é como o religioso, pensa que tudo o que tem é devido ao seu esforço. Por isso, está sempre observando as outras pessoas com um posicionamento crítico. Enxerga Deus como um julgador, que faz barganhas. Apesar de se posicionar como alguém que se basta, se preocupa muito em agradar os outros, em ter reconhecimento e em provar o seu valor. Isso também faz com que se compare o tempo todo.

Dois ótimos exemplos dessa mentalidade são os dois irmãos da parábola do filho pródigo (Lc. 15:18-19, 28-10). O primeiro, depois de gastar todo o dinheiro da sua herança, volta para a casa do pai pedindo para ser seu empregado. Já o irmão mais velho, quando descobre sobre a festa dada pela volta do caçula, reclama dizendo que sempre trabalhou como um escravo, por isso mereceria essa comemoração. A mentalidade de empregado quer fazer por merecer a graça e o amor de Deus.

Os dois irmãos não tinham a mentalidade de filhos, mas de escravo e empregado.

  1. Mentalidade de filho

A mentalidade de filho já é bem diferente das outras duas. O filho sabe que tem um Pai celestial que se importa com ele. Todos nós podemos ter essa mentalidade, porque a Bíblia nos garante que fomos feitos filhos de Deus por causa da fé em Jesus (Gl. 3:26; Rm. 8:15-17).

O filho se alegra em pertencer à família de Deus e em ter o Espírito Santo. Ele não vive ansioso, porque sabe que o Pai sempre supre todas as suas necessidades e ouve as suas orações. Ele tem fé, crê nas promessas de Deus, e isso faz dele um abençoado. O filho sabe que o Pai ouve suas orações. O filho sabe que nunca está sozinho. O filho sabe que o Pai nunca o abandonará! Por isso o filho vê as tribulações e problemas da vida de maneira diferente, ele as encara como oportunidades para crescer, ser abençoado e mostrar aos outros a bondade e o amor do Pai. O filho tem paz e alegria porque tem relacionamento com o Pai. O filho não tem dificuldade em obedecer ao Pai.

  1. Mentalidade de príncipe

Mas existe uma mentalidade ainda mais elevada do que a de filho, a de príncipe. O príncipe é um filho que amadureceu e sabe que tem autoridade, sabe que é filho do Rei e que tem poder dado por Ele para fazer a Sua vontade. Ele sabe que não tem apenas um lugar no reino, mas tem que lutar para que este reino seja implantado aonde o Pai deseja. O príncipe pensa muito nas outras pessoas que o Rei ama, e quer abençoar. O príncipe tem ousadia, coragem e responde ao chamado do pai. 

Qual mentalidade você tem?

Existe uma história no Antigo Testamento que expressa bem essa diferença entre mentalidades. Ela está em Números 13. O Senhor disse a Moisés para enviar alguns homens para fazer o reconhecimento da terra prometida, de Canaã. Ele, então, escolhe doze líderes de cada tribo. Algumas versões da Bíblia dizem que ele escolheu doze príncipes. Esses homens passam 40 dias explorando a terra e voltam com o relatório. Dez deles dizem que a terra é boa, mas que lá vivem gigantes e um povo poderoso. Eles trouxeram notícias ruins, diziam que não poderiam tomar posse daquela terra.

Mas, dois daqueles líderes, Josué e Calebe, criam que, pelo poder de Deus, poderiam conquistar aquela terra, afinal Ele mesmo havia prometido. Aqueles dez homens tinham mentalidade de escravos, já Josué e Calebe pensavam como príncipes, sabiam quem era o Deus a quem serviam.

Deus tem nos chamado para uma mentalidade diferente, para um modo de vida diferente. Jesus disse que o maior no Reino de Deus é aquele que serve e é isso que fazem os príncipes, servem e levantam as pessoas, libertam as pessoas, transmitem a graça e o poder do Reino de Deus às pessoas.

Você tem vivido como príncipe/filho ou como escravo/empregado?

A mentalidade depende daquilo em que cremos, do que pensamos e de como enxergamos as coisas. Não adianta continuarmos fazendo as mesmas coisas e esperarmos resultados diferentes. Se você, através das descrições, percebeu que tem vivido com um pensamento de escravo ou de empregado – ou, até mesmo, só de filhinho pensando apenas nas bençãos – peça que o Senhor te mostre quais pensamentos precisam ser transformados.

A Palavra de Deus é a melhor fonte para encontrarmos a verdade sobre nós e as promessas do Senhor. A mudança da nossa mentalidade começa conhecendo e crendo nessas verdades, e tendo um relacionamento profundo com o nosso Pai.

Deus é o Rei do Universo e nos criou para sermos Seus filhos amados. Ele, através do sacrifício de Jesus e do Seu Santo Espírito, nos dá autoridade para viver nesta terra. Vale a pena viver assim.

 

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